| privada aberta |
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as mulheres de minha vida passearão por este antro patologicamente correto, fetichista, ninfomaníaco, sujo, depressivo, alcoólico e deteriorante. vivamos a vida como ela é. o que deveria ser não é nada a não ser abstração e saudosismo barato. bem vindos à privada aberta. puxem a descarga na saída (talvez este blog seja uma obra de ficção)
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7.5.09
As minhas namoradas Antes que alguma maldita purista venha me xingar de graça, digo que não tenho duas namoradas ; já as tive. E sou totalmente a favor da bigamia, trigamia, poligamia e o que mais gamia estiver ao alcance, e foda-se o que diz a lei, que quer impedir a felicidade carnal do homem. O que relato aqui, ningém sabe, só eu. Era se não me engano, fim do ano de 2006 e saía com uma moça, ex;colega de trabalho. ficávamos de vez em quando, e sempre de vez em quando rolava algo mais. Mas nada sério, por nenhuma das duas partes. Nós dois sabíamos disso. E nessa, numa noitada normal, encontrei essa outra moça linda. As duas, cada uma obviamente na sua própria jurisdição, eram fenomenais, em todos os sentidos Vai daí que quando me vejo, estou com cada uma, 2 dias na semana. E gostando das duas. O hipócrita que criou a monogamia devia ter sido queimado vivo. É inevitável, não existe somente uma mulher adorável no mundo. Existem várias. Limitar a felicidade a esse ponto me parece um tanto de preconceito, inconcebível nos dias de hoje. Não defendem tanto a união entre viados, lésbicas? Não adoram tanto a diversidade ? Nao querem a todo custo mais liberdade, mais tolerância? Porque então ninguém tolera um homem com duas mulheres? - e eu defendo a mulher que conseguir dois homens tb - porque? PORQUE? Muito bem...vivíamos maravilhosamente bem. As duas mulheres da minha vida, digo isso até hoje, eu e o por do sol, nossos limites. Ai ai ai, que saudades do tempo em que isso nao tinha a menor importancia. Omundo está ficando louco. Um dia retornarei ao meu umbigo. Viva la musica. E as mulheres, que me amem. 28.4.09
A curious chick Sexta passada uma mulher que eu nao via há 8 meses me ligou. Estava aqui, na cidade que moro agora, e queria me ver. Não nego que logo que uma mulher me liga sinto uma vontade muito grande de dizer sim e sair correndo atrás dela, feito um cachorro atrás do osso. A empolgação inicial é irrefreável. Mas esse momento passa e depois surgem as perguntas. É muita pergunta pra pouca resposta. Minha amiga Francineide me diz isso com frequência: Perguntas demais atrapalham. Pois então, aqueles olhos castanhos amendoados que tanto adoro, o cabelo longo e o rosto lindo, os vi tão logo pude. Mas foi estranho. Tudo, nesses últimos dias tem sido estranho. Ela declarou-se pra mim. Não entendi nada. Nunca tinha sido nada de profundo, nunca nada sério, e depois um distânciamento natural nesse tipo de relacionamento como o nosso, onde nenhuma das duas partes quer nada pra valer, apenas ficar junto de vez em quando sem compromisso. Me disse ela que nesse tempo volta e meia lembrava-se de mim, dos nossos momentos juntos, nossas pequenas viagens de fim de semana. Todos os 2 anos e pouco que conheci ela, nunca me havia dito nada. De repente, retorna. Estranho, muito estranho. Penso em hipóteses, porque talvez seja esse o raciocínio justo, se não me engano. Ela, nesses oito meses estava carente, sem ninguém pra dar uma, sentiu-se só. Ou está sendo coagida por alguma ex-namorada minha a extroquir meus sentimentos. Talvez se tenha apercebido que chegou a hora de dar um rumo na vida pra não ficar pra titia e resolveu me escolher, por falta de escolhas. Não sei, tudo me parece possível, pois tudo é sem lógica, como seu comportamento. Poderia ela ter lido o horóscopo que sinalizava que uma pessoa com o meu signo seria o par ideal com o dela. É, cada dia que passa vejo que o mundo me reserva sempre surpresas incríveis. Meu horóscopo deve ter dito isso também. Eles sempre dizem as mesmas coisas. Lamento por ela. Quando ela finalmente souber a verdade. Espero que não saiba. Seria cruel demais. Até ela me encontrar de novo, tem muitos dias pela frente. Espero que ela encontre alguém melhor e saia dessa depressão. Ou mude bastante para melhor, mas a mudança, neste sentido, só eu saberia dizer, e a muitos seria ofensivo, portanto me mantenho calado. Não tenho dinheiro nem pra mim, imagina se depois preciso pagar alguma indenização de leitorezinhos sem senso de humor que se sentem ofendidos pelas minhas palavras, quando não passam - a maioria, deles - de analfabetos funcionais. Preciso beber pra destilar todas estas informações e manter apenas o malte real e saboroso. Um dia retorno. 29.3.09
Jazz & whisky, babe
To há alguns meses sem sair de casa. Sem ir em boates, bares, essas coisas. Ainda também não to correndo atrás de empregos por enquanto.Fico na minha sacada bebendo, fumando e lendo, o dia inteiro. Que me vê deve me achar o maior doidão da cidade. Vagabundo. Mas é legal ser vagabundo nesse sentido tipo, beber e ver a vida dos outros correr na nossa frente. Os cara que moram comigo são meio bobões assim. Todos vieram de cidades menores pra estudar ou trabalhar aqui. Não saem, quando bebem é pouco. Dois deles tem uma namorada lá na cidade deles. Coitados. O outro parece que tinha uma aqui, mas ela voltou pra cidade dela há algum tempo e terminou. São caras que gostam de namorar. Eu não sou um deles. Quer dizer, de vez em quando é até bom, ficar uns meses com alguma, mas depois começa a encher o saco. Elas começam a ocupar cada vez mais espaço e te deixam sem outra escolha a não ser acabar com tudo. A sua liberdade é retirada, pois são – a maioria – possessivas pra caralho. Agora são 9 da manhã. Ontem fiquei em casa, como sempre, mas não bebi. Queria ver a Fórmula 1. Quem diria que o Barrichelo ficaria em segundo. E pelo que se vê, tem grandes chances de levas o campeonato a equipe dele. Acordei e pra manter razoável meu grau de melancolia, coloquei um jazz daqueles bem calmos que quando a gente ta sozinho dá vontade de bebericar um whisky. Quando a gente ta acompanhado, dá vontade de vocês sabem bem o quê. To bebendo whisky. O jazz é um ritmo bem interessante. Traz consigo um ar específico, uma sensação que nenhum outro ritmo tem. O jazz é um ser vivo com sentimentos. Despretensioso, quer ficar só na dele, sem ninguém incomodando. O jazz fuma seu charuto num canto, com a aba do chapéu levemente caída sobre os olhos e um copo cheio na mão esquerda. Curte sua própria melancolia, sem incomodar ninguém, sozinho e ta bom demais. Depois de um longo período sem ouvir, o jazz hoje me fez pensar. Cara, quanto tempo sem essa sensação. São 9 e pouco da manhã e eu na sacada bebendo whisky. Cai uma garoa leve. Se alguém me visse a essa hora da manhã bebendo, me chamaria de alcoólatra. Não ligo pra isso. Me chamem do que quiserem. A mim importa apenas o que eu sinto, se é justo e válido me sentir desta forma. Sempre que avalio meus sentimentos como justos e válidos, faço o que me dá na telha. Não importa se depois me arrependo, no momento era o que eu precisava fazer. Sou um cara digamos coerente, sempre que posso. Fui na padaria hoje mesmo, comprar uns pãezinhos. A moça bonita não trabalhava hoje. Peguei também um pouco de queijo e presunto. Dei uma olhada na capa do jornal, mas resolvi não gastar com isso. Pelas minhas contas, se eu não exagerar nas bebidas agüento uns dois ou três meses sem trabalhar ainda. Quando chegar no segundo mês devo começar a ir atrás de algo. Por ora fico aqui, apreciando a vista da cidade da minha sacada, vendo as moças desfilarem ali embaixo e lendo, ebbendo e escrevendo esse blog. O importante é não ter pressa. As coisas com o tempo se ajeitam. Eu mais do que ninguém, sei disso. Um saxofone toca em minha cabeça. Preciso de mais gelo. Preciso de mais vida. Oh, I love you darlin, you ain’t no one’s but mine. 15.3.09
Mudança de foco the last butt.jpg Última foto de bunda deste blog A sinceridade acaba sendo a minha saída. Eu tento tento tento mas não consigo me livrar dela. Muitas vezes minto, muitas vezes invento. Mas ela me persegue, gruda em mim como um carrapato e acabo me fodendo e falando a verdade. Ei-la aqui. Não, não. Não vou ceder e falar a verdade. Vou fingir então. Isso. Muito bom. Fingir. Fingir não é mentir. Fingir é atuar. Um ator não mente, ele finge. Isso. Boa, Bull! Finjamos, pois pois. Finjo que estou em uma crise, uma tal de depressão, e ao invés de meus textos sobre minhas mulheres (que a muito contragosto descobri que não dão nenhuma audiência) vou começar a escrever sobre minha crise existencial. Isso. Sentirão saudades de tia Bea? Eu já sinto. Sentirão saudades das mulheres que me largaram, das mulheres que eu larguei, das mulheres? Todos sentimos falta das mulheres. E usando a lógica é fácil ver que não adianta escrever sobre sexo. Ainda mais na internet. Os maníacos sexuais acham muito mais atrativo baixar fotos e filmes que ficar lendo textinhos sem graça. É óbvio. E os maníacos sexuais que lêem, preferem ler em livros, não numa tela de computador. De qualquer maneira, quando me der na telha volto aqui e falo das minhas mulheres, como antes. Mas hoje to meio melancólico. Creio que até tia Bea sentiria pena de mim e viria aqui me consolar, se morasse perto de mim. Mas ela sempre morou relativamente longe, de Curitiba pra Londrina se vão boas horas de viagem. E faz algumas semanas que estou morando mais longe ainda da minha tia gostosa. Me mudei. E ninguém vai saber pra onde, porque talvez eu nem tenha mudado e estou tentando apenas criar um clima de universalidade na cidade em que moro pra poder atingir mais pessoas quando eu for publicado. Então imaginem uma cidade mediana (usem o seu próprio critério de mediano, de acordo com o país que vocês vivem), com razoável quantidade de pessoas e uma vida noturna bastante boa. É onde moro agora. Numa esquina, segundo andar. Cidade sem praia, mas próximo do litoral. Quente e frio quando se faz necessário para ambientar as respectivas histórias. Raramente neva. A última vez foi na era glacial. Mas o frio, no inverno, aparece. Vivo aqui, há poucas semanas, como já disse, e as mulheres são bonitas. Tem uma padaria na esquina, que me vende pão macio e quente a cada hora. Além de cigarro, que também comecei a fumar mais frequentemente há pouco tempo, pra acalmar a ansiedade da mudança. Sabe como é, a vida inteira vivendo no mesmo local, quando a mudança surge, o nervosismo vem a galope. Vende também cerveja, mas não muito gelada. A padaria. Tenho que colocá-la no congelador. A cerveja. A moça da padaria é bonita. Loira, com as curvas bonitas e atraentes. Um dia vou chamá-la pra me visitar em casa. Colocar as coisas em ordem depois da mudança dá trabalho. São livros, roupas e computador, CDs e tralhas pra caralho. Fora o dividir a casa com estranhos. Mas isso eu, misantropo, acabarei por me acostumar, já que o ser humano se acostuma com tudo. Sei lá, todas essas novidades às vezes parecem muito pra mim. Sinto um pouco de falta de Londrina, mas eu já sentia lá que a cidade era muito pequena pra mim. Ou não pequena, já que aqui tem mais ou menos o mesmo tamanho, mas lá tinha muita repetição. Conhecia muita gente, há muitos anos. E isso provoca a irritação constante, diuturnamente. Rotina. E a rotina é má por natureza. Por isso casamentos se desfazem, pessoas brigam e políticos se corrompem. A rotina os aniquila. Por isso, quando me vi enredado numa rotina que se eu não tomasse uma decisão logo se tornaria a mesma pro resto da minha vida, não pensei duas vezes e me mandei. Na verdade pensei sim, e bem mais de duas vezes. E em todas cheguei à mesma conclusão. Se manda Bull! O lado legal é que você começa a viver em outras cidades e descobrir coisas inimagináveis ou pelo menos esquecidas da memória, como andar numa rua desconhecida com aquela vontade de descobrir somente aonde que ela vai dar. Em Londrina eu não tinha mais isso. Eu sempre sabia onde as ruas iam dar. Aqui não, tudo novo. E as ruas não são paralelas, então cada esquina é uma descoberta nova e quando você vê ta perdido, pois ela te levou pra outro lugar longe, muito longe de onde você imaginaria em sua vã filosofia. E eu bebo. Como nunca bebi antes. Me divirto com isso, sempre me diverti. E agora tenho uma sacada só pra mim, no meu quarto. Então à noite eu me sento ali, com meu cinzeiro e meu copo, no escuro, e penso e devaneio com as luzes, os barulhos e os malucos da noite adormecida. Em um dos lados tem um hotel e se ouve barulhos noturnos às vezes. Homens e mulheres solitários metendo noite adentro. Tentando ocultar a infelicidade metafísica nos orifícios uns dos outros. Mas a infelicidade é líquida e escorre. Tudo volta de onde veio. Eu, por enquanto, só assisto. Ainda não sinto a cidade nas veias, pulsando. Espero seu golpe. Espero conhecê-la melhor. E digo que assistir é muitas vezes legal. Enfim descobri como surgem os voyeurs. São perdidos como eu, tentando entrar em sintonia com a cidade, observando-a. Como qualquer outro vício, observar também nos faz bem e traz felicidades instantâneas que acabam por atrair mais vontade e assim se compra o primeiro binóculo ou luneta e daí fodeu de vez. Nunca mais será o mesmo. Eu sei que escapo dessa porque não tenho dinheiro pra binóculos. Mas a vontade é grande. Tenho certeza que vi esses dias, lá de longe, uma bunda na janela. E a amei desde que a vi, na sua redonda inocência. As bundas não têm consciência de si mesmas. Nem as belas, muito menos as feias. Ah se elas soubessem os suspiros que suscitam. Se as mulheres soubesses o valor que seus assentos possuem, o tesão que provocam, a tentação que surge com o seu passar, o prazer libidinoso de apertar, de morder, de lamber. Ah, se as mulheres soubessem o quanto possuem em apenas existir. Ainda não falei da morena que conheci. Ela parece, pelo menos no corpo, com outra morena que conheci em Londrina. Mas é mais bonita e muito mais inteligente. E um sorriso perfeito. Conversamos um pouco, sem muita intimidade, mas me pareceu que ali rolou um clima interessante. Trocamos emails. Vez em quando entro em contato com ela, e me parece bem receptiva. Mas infelizmente não mora aqui, mas em outra cidade. Uma pena. Um dia a visito. O melhor de mudar de cidade é a liberdade que sentimos. Ninguém me conhece. Ninguém, por enquanto, dá a mínima pro que faço ou deixo de fazer. Ainda não devo ser motivo de conversa dos outros. Sou apenas um novo inquilino. Um cara de fora. Como é bom isso. É bom DEMAIS isso! Cara, como é bom ser livre! 14.3.09
A velhice
Vou ser um velho triste. Vi meu rosto em fotos e me imaginei com mais rugas, mais anos e decepções pela frente e concluí isso. Um velho triste e melancólico, como talvez eu já seja há alguns anos. A questão da velhice volta e meia ressurge na minha cabeça, apesar de eu ter apenas 20 e poucos anos. Talvez não pensar no futuro e não ficar toda hora lembrando o que se passou seja o mais correto, mas sei que é mesmo difícil fazer isso. Ontem a loirinha bonita apareceu. É bonita mesmo, mas não diria que ganha de todas. A primeira Tati era melhor. Talvez ela fique em segundo. Apareceu, mas não deu muita bola. Não me importo com isso. O futuro tem muito a me oferecer ainda. Muito mesmo. Se eu me remoer por coisas tolas como essas, to ferrado. Tenho a minha velhice inteira pra ficar caduco e triste e, daí sim, sofrer de verdade, isso se eu e minha véia não ficarmos o dia inteiro na cama, tentando relembrar os velhos e já distantes tempos. Com o viagra. Estou à procura de uma namorada. Não é que eu goste de namorar. Na verdade prefiro só ficar o tempo suficiente pra ir pra cama algumas vezes e depois mudar, mas desta vez preciso. E quando se precisa de alguma coisa parece que tudo parece decepcionar a gente. Quando a merda da certeza bate na nossa cabeça, podemos dizer sem sombra de dúvida: fudeu. Percebi que a vida vive pregando peças e devemos estar preparados pra isso, tentando pregar peças na vida. Nunca conseguiremos, mas dessa forma evitamos que ela consiga. A vida. E por hoje é somente isso. Devo escrever mais por aqui nos próximos dias. Esperem e verão. 13.3.09
Um pouco de (vã) filosofia Nesses últimos dias fiz muita coisa, mas também pensei muito. Existem coisas na vida que pensamos que são de uma certa maneira durante grande parte das nossas vidas. Nesses últimos três meses acho que consegui ver algo de uma outra forma. Às vezes percebo o quanto sou inocente, ingênuo. Que os acontecimentos que vivi nos meus 20 e tantos anos ocorreram sem nenhum esforço da minha parte, que na escola eu não estudava de verdade, mas todos os anos eu era aprovado. Que nos vestibulares que fiz (vários, vários...) nunca estudei realmente e também foi assim no meu trampo. E assim era a minha vida, sem esforço, sem fadiga. Posso dizer que também nos meus relacionamentos amorosos foi assim. Não fiz muito para iniciá-los, nem para terminá-los. Apareceram, acabaram. Assim, simples. Talvez eu perceba que a vida em geral é muito complexa, muito dura, então tento torná-la mais simples pra mim. E agora vejo que estou errado. Que sou errado. Que esta simplificação dos fatos, dos sentimentos, da vida não é nada a não ser um engano. Um feio e fedorento engano. Sempre que falo, com o meu raciocínio supérfluo, os outros demonstram a simplicidade do meu pensamento tão fácil que me sinto uma criança a argumentar com os adultos. E então vejo a superficialidade de tudo que penso e acredito, daquilo que vivo e de mim mesmo. Mas não sei se algum dia mudarei. Porque o pensamento simples (ou simplificador) está dentro da minha cabeça há tantos anos que parece muito difícil me tornar diverso daquilo que sou e aprendi a ser. Agora é necessário desfrutar do pouco tempo que ainda tenho com meus amigos, beber, falar com eles e depois, ao mesmo tempo que retornar à casa, retorno também à minha solidão, aos meus pensamentos simples e fúteis e infantis, às minhas dúvidas, ao meu nada. 22.12.08
Taras estranhas Nunca fui um cara de ver muita TV, mas acho que de forma inconsciente to vendo muito nesses últimos dias. O que mais gosto é de ver telejornais desconhecidos com apresentadoras bonitas, começo a imaginá-las fora do estúdio, a sua vida etc. Repórteres bonitas também existem aos montes. Mas independentemente de serem bonitas, acho que o que me atrai mesmo é a dicção perfeita. Acho que sou um tarado por dicção. Aquela mulher que pronuncia certo todas as letras com que as palavras são formadas, com entonação correta, sibilos sexy nos S e voz insinuante: eis a mulher que me apetece. Já conheci algumas. A última é de São Paulo e além disso fala 5 línguas. Olhando-se de longe não se dá nada pra ela. Discreta, bem magra, rosto nem feio nem bonito, cabelo na altura do queixo. Mas quando fala a atmosfera ao redor se transforma e os sons a tornam a mulher mais desejável do planeta. Não sei se tenho uma zona erógena no ouvido – no martelo ou na bigorna? – mas o som agradável que surge de suas cordas vocais me envolve de tal maneira que fica difícil não me apaixonar por ela. Sempre me imagino como seria acordar com uma dessas vozes sexy sussurrando no meu ouvido “Bom dia, amor”, como naquela música francesa – que imagino seja uma loira gostosa seminua cantando, não me falem a verdade, me deixem viver um pouco de ilusão – que uma mulher não canta, mas sussurra, murmura, “je t’aime” – não sei Frances, agora podem corrigir – ah, je t’aime, minha loira deusa da dicção perfeita! O engraçado é que todas as dicções perfeitas que encontrei sempre eram casadas ou compromissadas. Isso só mostra que são disputadíssimas no mercado, e não sou só eu que quero acordar com uma delas sussurrando no ouvido. Um dia ainda consigo. 17.11.08
Minha Paraguaia Lembro-me da primeira vez que fui ao Paraguai. Estava sentado em uma pracinha bem perto do meu hotel, as horas iam lentamente se esvaindo e a preguiça de mim tomava conta. Como não tinha nada pra fazer mesmo, resolvi então alugar uma bicicleta no hotel e fui dar uma volta no centro. Estava realmente distraído, atravessando a rua, quando no meio da travessia uma moça, mas muito bonita mesmo, me parou. Falou um espanhol muito enrolado, parecia que estava chapada ou alguma coisa do gênero. Vi que tinha na mão alguns currículos. Pedia informações sobre onde era a estação central de ônibus. Me perguntou se eu era dali, respondi que não, era brasileiro, mas entendia bem espanhol. Ao invés de continuar pedindo as informações, me estendeu a mão, se apresentou (chamava-se Lola e não sei porque me lembrei do Nabokov) e puxou assunto, com aquela fala enrolada de alguém que não está em seu juízo perfeito, mas ainda assim consciente. Me perguntou como um colombiano foi para no Paraguai, respondi que não era da Colômbia, mas do Brasil. Que coisa, pensei, ta doidona. Deve ser uma isca pra depois me assaltarem. Disfarcei um pouco, olhei para os lados enquanto conversava, e não vi ninguém. Caramba! Será que doparam a moça ou ela mesma usou drogas por conta? Pude reconhecer pelas suas palavras que era uma menina inteligente, pois falava correta e claramente, sem sotaque, mas também sem regionalismos. Pensei até que pudesse ser uma garota com problemas mentais. Mas isso não vem ao caso agora. E também não foi ao caso à época. Porque no meio da conversa veio um ônibus e ela nem ligou muito. Comentei que dali a pouco passaria outro e sem pensar, como se já estivesse com a certeza do que falar, me pediu pra fazer companhia. Eu, sozinho, num hotel, já comecei a pensar besteiras. Vez ou outra aparecia aquele anjinho ao meu lado dizendo “vc vai abusar de uma garota com problemas?”, no que o diabo atiçava “problema o único que ela tem é que quer dar pra alguém, e vc foi escolhido, rapaz. Ta é doida e quer dar, só isso. Vai lá.” Obviamente, o diabo ganhou e começamos a puxar um papo legal. Neste caso legal quer dizer rápido. E lá fomos pro meu hotel. Ofereci bebida, ela aceitou, fizemos amor a noite inteira e dormimos. No outro dia de manhã acordei e puxei papo com ela. Falava ainda do mesmo jeito. Ai meu deus, pensei, comi a moça com problemas! Ela mesma acabou tocando no assunto. Disse que sofreu um acidente e depois disso sempre falou desse jeito, muito embora pense e raciocine tão rápido quanto antes. Alguma parte do cérebro referente à fala foi afetado e a deixou desse jeito. Dizia ela que por causa disso nunca conseguiu namorados e quando sentia vontade de fazer sexo precisava se jogar em cima dos homens, pois logo que ela falava eles pensavam que era uma retardada mental. Mas daí me veio o estalo: e porque vc me chamou de colombiano quando eu tinha dito brasileiro? Ela me respondeu, me fingi de retardada, meu bem, e deu risada. Me senti bem depois da conversa e fiquei com ela todos os dias até ir embora. Era inteligente demais e sonhava um dia em poder sair de seus país, pois lá não tem oportunidades e sofre muito com a discriminação. Desejei boa sorte e nos despedimos. O diabo batia no anjo dizendo, viu seu filho da puta, quase que deixamos de comer uma por sua causa! Apesar dessas brigas, minha consciência estava tranqüila. Pelo menos, eu acho. 31.8.08
Essa vai para os anais da história Trocadilho baixo, muito baixo. Mas os futuros namorados da minha ex deverão me agradecer por isso. Porque? Simples, eu a fiz gostar de sexo anal. É inegável a predileção do brasileiro, e como não podia estar de fora, tô nessa lista também. No início, ela relutava muito, mas muito mesmo. Não me deixava nem encostar o dedo de leve, fechava a perna e brigava comigo. Com o tempo fui fazendo carinhos bem leves, ela se arrepiava inteira. Aos poucos, pressionando com o dedo só por fora. Depois, a pontinha do dedo. Por último, meu dedo entrava e saía e ela gritava e pedia mais. Logicamente tivemos que comprar um lubrificante específico. Comecei só com a pontinha, ela gemia, de quatro, na minha frente. Tinha uma bela bunda, que sempre gostei de passar a mão e morder. Era uma cena a ser imortalizada ela nesta posição, pedindo mais e mais no cuzinho. Ontem, depois de três meses de separação, ela me ligou. Queria me ver. Relutei um pouco, mas acabei cedendo, e nossas belas noites foram relembradas. Bêbados, nus, suando no escuro sob a penumbra cuja meia-luz surgia direto do poste da rua. 20.8.08
No sofá da sala Estou indo seguidamente pra Curitiba nesses últimos três meses e, obviamente sem segundas intenções, tenho ido mais freqüentemente à casa de minha tia Bea. Falo isso sério, já que não passa pela minha cabeça fazer alguma bobagem com ela, embora a vontade seja muita, como todos vocês que não me lêem sabem. Tia Bea posso dizer que tornou-se um desejo muito pouco concreto e é bom que assim permaneça. As razões são minhas, portanto, decido eu. Meu primo Pedro e eu, em alguns dias, saímos na noite Curitiboca pra eu conhecer melhor e obviamente tomarmos algum porre. Se não me engano era uma sexta-feira um dia em que saímos eu, meu primo e a namorada e mais dois amigos dele. Fomos a um bar jogar sinuca e curtir umas bandas que tavam rolando por lá. Uma coisa que não me haviam dito é que os Curitibanos são fracos pra álcool. Pelo menos aqueles dois amigos do meu primo deram a entender isso, pois em mais ou menos três horas de bebedeira os dois já estavam pra lá de Pequim. Eu me empolguei e continuei bebendo, meu primo foi embora com a namorada e fiquei de levar os dois embora, no carro de um deles. Um é o mais consciente, que obviamente não é o dono do carro. Quando percebeu que estava ficando doidão, parou de beber e começou a tomar água. Resistiu às minhas tirações de sarro. Agora o outro, quando eu falava que curitibano não güentava, me desafiava pra um vira de cerveja, e eu ria, e o deixei ganhar algumas vezes pra não ficar muito chato. Sei que devemos ter ido embora pelas 4h30. Deixei o primeiro no apartamento dele e fui dirigindo o carro com o outro resmungando do meu lado e cantando músicas ininteligíveis. Botei o carro na garagem e o maldito não queria sair de lá, tive que puxar e quase carregá-lo para dentro do elevador. Quando chegou na cama estava praticamente em coma alcoólico, desabou por ali mesmo e só deve ter acordado no outro dia à tarde. Tomei muita água, comi alguma coisa que achei na geladeira e ia me ajeitando num sofá da salinha pra dormir, quando ouço um ruído de porta se abrindo, imaginei que era o cara indo pro banheiro vomitar, mas não ouvi nenhum resmungo ou passos fortes comuns a esse tipo de situação. Senti uma leve brisa e um cheiro suave e envolvente de mulher tomou conta da salinha. Fingi que estava dormindo. Poderia ser a mãe do rapaz, embora eu tivesse certeza que ele morava sozinho. Outro ruído de porta e ela se fecha. Ouço leves passos descalços no corredor em direção à sala, que se distanciam perpendicularmente, indo então à cozinha. A geladeira abre, um copo d’água é servido, bebido e colocado na pia. Os passos de repente param e sinto que estou sendo observado. Quando tenho esta sensação é mais difícil fingir que estou dormindo. Dou um resmungo, finjo que me viro e abro os olhos de leve, como quem estivesse dormindo e vejo uma mulher, parada em minha frente, já nos seus trinta e cinco, quarenta anos. - Sou primo do Pedro e tive que posar aqui porque ele não tava em condições de dirigir – me apressei em esclarecer, indicando com o dedo na direção do quarto. - Não precisa se justificar – disse – já estou acostumada com ele chegando desse jeito. Obrigada por trazê-lo pra casa. Quer comer algo? - Na verdade já comi por conta própria - falei, meio sem-graça. – Achava que ele morava sozinho. - Ele morava sozinho mesmo – disse, olhando para o chão – até que me separei e vim viver com ele. O pai dele me trocou por uma garotinha de vinte e dois anos e como o apartamento era alugado, me expulsou de lá, pois dizia que ele quem pagava tudo e eu nem trabalhava. Estou tentando achar um advogado pra conseguir alguma coisa dele, mas sabe como é, isso demora. Eu a ouvi atentamente e concordei, sim, como demora! Enquanto ela falava, meu susto inicial passou e pude olhar detidamente: não era nenhuma garotinha de vinte e dois, mas ainda dava um bom caldo. Sentei-me para prestar melhor atenção em sua conversa e desta forma deixar transparecer que não queria dormir e a conversa estava agradável. Ela voltou à geladeira e perguntou se queria beber alguma coisa, consenti e trouxe mais água pra mim. Pensei em pedir vinho, mas seria muita cara-de-pau. É uma situação delicada. Eu, estranho, na casa de um amigo do meu primo tentando xavecar a mãe dele! Analisei detidamente os pontos positivos (eu um pouco embriagado, solteiro, o cara desmaiado e a mãe carente) e os negativos (...não achei nenhum. Talvez a idade, mas também não vou casar com ela) e decidi investir. Aos poucos comecei a abordar outros assuntos mais leves e era uma mulher realmente bem comunicativa, com gosto pra conversar, inteligente, sutil e de boas e educadas maneiras. Uma verdadeira dama. Devia estar acostumada a lidar com encontros sociais, pois era desenvolta demais para ser apenas uma mera dona-de-casa (sem menosprezar as donas-de-casa, que também adoro). Conversamos por mais ou menos duas horas, quando vimos o sol amanhecer na janela. Ela sorriu: - Nossa, nem vi o tempo passar. Eu estava com tanta insônia, há dois dias que não durmo direito. - Eu também não vi o tempo. Quando a gente está em boa companhia tudo voa – deixei escapar, fingindo que não era voluntariamente. Olhei pro chão. Ela sorriu, com o rosto levemente corado e me perguntou: - Qual a sua idade? - Vinte e quatro. - Você acha que sou muito velha? Levantei o rosto e mirei no fundo de seus olhos: - Nem um pouco. Ela veio lentamente em minha direção, sentou ao meu lado no sofá. Peguei em suas mãos, nos braços, no pescoço e beijei a boca suave e longamente. Ela me abraçou forte, me beijou inteiro enquanto eu tirava a camisola de seda rosa e acariciava seus seios. Ela gemeu. Me despiu, ficamos eu de cueca, ela de calcinha, nos abraçando no sofá durante muito tempo, até que não agüentei mais e baixei a calcinha e comecei a roçar de leve na vagina. Ela ficou louca, gritava e nessa hora eu já não tinha mais medo de que o cara acordasse e me visse comendo sua mãe no sofá. Ela foi descendo e beijou meu pau, e chupou com muita habilidade. Sabia das coisas. Virou-se de quatro pra mim e confesso que o melhor meia nove de minha vida ocorreu naquele momentou. Uma bocetinha cheirosa, bem depilada e aparada, molhadinha como eu gosto. Depois a comi de quatro e gozamos juntos no sofá. Fiquei abraçado, beijando-a durante muito tempo ainda. Quando ouvimos um interfone. Devia ser meu primo vindo me buscar. Quase nove horas. É, comentei com ela, realmente o tempo passa muito rápido quando a companhia é boa. Ela sorriu, beijou minha boca longamente. Não perguntou sobre nos encontrarmos de novo. Deveria saber da impossibilidade de começar a sair com um cara da idade do filho. Inteligente, ela. Despedi-me e fui embora. Depois de dois dias de insônia, ela finalmente dormiu, pensei. Meu primo não entendeu meu sorriso bobo na volta. - E aí, pegou alguém ontem? - Nada. Mas tive um sonho muito bom – respondi. A verdade muitas vezes não pode ser dita. 29.7.08
Mr. Bull Magic Fingers Magic Fingers. É assim que sou conhecido entre o público feminino. Não, não sou nenhum prestidigitador ou infrator de pequenos furtos. Meus dedos servem a propósitos um pouco mais nobres. Magic Fingers. Acho que é um dom natural. Não sei quando me dei conta dele, mas senti que era algo único. Uma das minhas primeiras namoradas deve ter sido a precursora, quem experimentou pela primeira vez esta dádiva. Não lembro qual delas, mas sei que sempre, sem exceção, sempre que vou pra cama com alguma mulher, lá surgem os quase imperceptíveis Magic Fingers de Mr. Bull. As preliminares – Sempre gostei desse negócio de preliminares. Aqueles copos de alguma bebida, a conversinha ambígua, cada vez mais pendendo pro lado da sacanagem, os risos, os gestos, os toques, os beijos. Tudo isso torna a noite sempre mais interessante. É um erro aquilo que muitos homens cometem, chegar e logo mandar ver, depois virar de lado e dormir. É preciso calma, tranqüilidade, muito bom humor e malícia. Já diria minha amiga Francineide “a pressa é a inimiga da refeição”. Um momento sublime é o primeiro beijo que vc dá em uma pessoa que tá a fim. Não aqueles beijos efêmeros e bêbados nas baladas. Mas quando um objetivo é alcançado. A aproximação lenta dos lábios, o toque sutil e o estremecimento do corpo. A umidade das línguas. Isso sim é um momento sublime. Diria que mais que a cópula. Gosto de ficar um bom tempo só beijando, e creio que elas também gostam. Algumas um pouco mal acostumadas têm pressa, e querem logo tirar toda a roupa. Depois vêem o que perderam. Depois, lentamente, as roupas somem (isto sim, digno de um mágico) e em seguida surgem os dedos. Os dedos mágicos que proporcionam prazer, que levam à loucura, que submergem nos devidos orifícios e voltam à tona entorpecidos pelo prazer proporcionado. É lindo vê-las se contorcendo na cama, as pernas pressionando minha mão, os seios arfando, o suor que escorre. Elas se agarram no meu pescoço, me mordem, me lambem. Magic Fingers. O primeiro êxtase de uma longa noite. Depois vêm o que todos já sabemos, as posições, mais gritos, arranhões, sexo, tudo também espetacularmente fenomenal. Mas de certa forma, acho que tenho um fetiche pela manipulação manual, pelos poderes que uma mão certa no lugar certo têm sobre outra pessoa. Gosto de percorrer o corpo inteiro, massagear, bem de leve passar os dedos, fazendo todos os pequeninos pêlos se eriçarem por todo o corpo. Gosto de acariciar o rosto, as faces, os lábios, a fronte. Gosto de pressionar os seios, sejam do tamanho que forem, da consistência que tiverem, gosto de pressioná-los, beijá-los, lambê-los. Magic Fingers. O melhor amigo das mulheres. 14.7.08
Sinceramente... Sei que não devo ser lido por quase ninguém, o que me dá extrema liberdade de escrever qualquer merda que eu queira. Hoje, por exemplo. Estava eu sofrendo com mais um de meus fracassos com minhas mulheres (ah, minhas mulheres), tentando distrair a cabeça pra não lembrar dela, quando me dei por conta estava lendo um grande escritor americano cujo personagem dizia em seu conto: "Estou com um grande buraco no peito. As mulheres já me colocaram vários buracos no peito." Achei a frase exata pra descrever como me sinto quando perco uma delas, das que gosto pra valer, sejamos bem claros, que foram bem poucas. Umas quatro, no máximo. Um buraco no peito. Algumas perdi por burrice minha; outras, elas me perderam por burrice delas, embora eu ainda gostasse muito delas, mas sacumé: toda idiotice tem limite, e ficar com ela seria como mudar meu nome de Bullinger para Idiota. Essa última foi um pouco dos dois: boa parte idiotice minha, outra boa parte burrice dela. Mas parece que to sofrendo um pouco mais. Contudo creio ser sempre assim, o que se vive no momento sempre é o que se sente com mais intensidade, seja boa ou terrível a experiência. O lado bom é que em alguns meses não estarei mais tão perto dela e talvez eu consiga esquecê-la finalmente. Não sei se quero isso, mas não posso continuar encontrando-a bêbado e depois me sentir o mais vil dos homens rastejando bueiro abaixo. A experiência nos traz a consciência dos nossos atos. Aprendemos a medi-los, a usar com parcimônia, a evitar os exageros, podando-os já quando exibem seus primeiros galhos. Arrancando-os quando começam a fincar raízes. Queimando-os quando estão no auge do seu verdor. O negócio é viver, intensamente e mostrar a todos (não só à ela) o que estão perdendo. Não falo de mim. Falo da vida. Falo do mundo. Falo do falo e seus encaixes. Sinceramente... 13.7.08
Faz tempo que não coloco fotos aqui. Essa parece a Ivete, não é mesmo? Maravilha! Mudei. De alguma forma estava cansado daquele outro layout deste blog. O tempo dirá se foi a escolha correta. De qualquer forma, o futuro da civilização não será afetado por isso. Hoje acordei sozinho em casa. Todas as vezes que isso acontece surge um urgência no peito e não sei o que ocorre. Uma vontade louca de sair por aí à caça de mulheres. sabe lá. Sábado da outra semana a vi em churrasco. A calça coladinha, o sorriso cativante. Um tesão. Queria possui-la ali mesmo. Mas não tenho chance. ainda estou em dúvida quanto a fonte que devo usar. Tenho uma quedinha pela Courier, pois me evoca letras de máquinas de escrever, e não deixa de ser uma visão romântica. Ou uma tolice descomunal. Tchau. 22.6.08
L. sisters Era um sonho. E dos bons. Aquela moça que conheço, como vou chamá-la neste relato...Helena. De pele alva, Helena era a mais gostosa da minha turma de faculdade. Já tivemos alguns rolos. E ela tem uma irmã mais velha, uma pessoa bem dada, digamos assim. Inclusive uma época que eu estava ficando com Helena, sua irmã, que chamaremos agora de Sandra, me encontrou um dia à noite e tentou me agarrar de tudo que é jeito. E com muito custo - porque estava muito, mas muito bêbado mesmo - consegui evitar a desgraça, porque perderia as duas duma vez só, obviamente. Depois me distanciei com o tempo de Helena e as poucas vezes que revi Sandra, estava namorando e bem mais discreta (parecia até monogâmica!). Uma vez ouvi uns papos que Helena estava saindo com um pessoal estranho. Umas meninas estranhas, digamos assim. Lésbicas para ser mais exato (ou bissexuais...acho que eram bi). E daí surgiu meu sonho. Estava eu dirigindo meu carro, que devia ser um opala preto, sabe-se lá porque razões obscuras de meu subconsciente. As duas estavam atrás, ambas com vestidinhos curtos. Sandra com um preto, Helena com minissaia branca e uma blusinha colada que realçava muito bem seus seios primorosamente delianeados pelo criador, seja lá ele quem for. E conversando acabamos chegando em brincadeirinhas sensuais, um instigando o outro e de repente as duas se olham e se beijam longamente, daquela maneira maravilhosa que me deixa sempre de pau duro, afundando os lábios (e geneticamente as duas foram muito bem agraciadas, pois são lábios dignos de Angelina Jolie) carnudos um no outro, as línguas entrelaçadas, os seios eriçados por baixo das roupas se tocando, e eu dirigindo. Parei num sinal e elas me olharam nos olhos pelo retrovisor, fazendo caras e bocas. Eu sério. Voltaram aos beijos. Daí eu falei algo assim: "isso não me impressiona mais. Já to acostumado a ver. Quero ver na hora H" e avancei em direção a Sandra, no banco de trás, tentando beijá-la, ela se esquivou. Voltei ao banco da frente e comecei a rir "sabia que vcs só queriam me provocar. Na verdade são umas frouxas". Elas se olharam de novo, ficaram cabisbaixas. Depois fomos pro quarto. Os três. Acordei sorrindo. E com a cueca úmida. 31.5.08
Como já diria Francineide... Minha amiga Francineide me manda fotos da américa, onde está há alguns meses. Diz ela que é um lugar um barato estranho, manda beijos a todos que não vêm ao meu blog e um selinho especial pra mim. Falando em Francineide, há muito gostaria de relatar como a conheci, e já falei isso pra ela, embora ela relute. Mas foda-se. Aproveito que no momento ela está solteira e não tem namorado ciumento pra achar ruim e vou mandar bala. Depois, se ela arrumar um, quem sabe eu apague. Quem sabe... Sempre via Francineide acompanhada, em algumas festas, na noite em geral. Namorou alguns bons anos o mesmo cara. Eu sempre a achei muito boa, gostosa mesmo, aquele cabelinho preto quase curto, o rosto e corpo magros, os olhos castanhos e os peitos gigantes saltando pra fora do decote. Era um tesãozinho (e ainda o é). Um dia vi que ela estava sozinha (tomei o cuidado de acompanhar seus movimentos durante algum tempo, para ter certeza), tomei aquelas doses a mais pra dar aquele empurrãozinho a mais na coragem e lá me fui, puxar papo com a garota e, óbvio, tentar alguma coisa a mais. Mas a garota era complicada. Nem deu muita bola, até porque, descobri depois, mal tinha acabado o namoro. Tava ali pra curtir com as amigas - coisa que inexplicavelmente nunca entendi, pois pra nós homens, quando estamos acabando um relacionamento, o que fazemos é encher a cara e logo achar um buceta diferente pra comer, foda-se se as amigas da ex virem ou não. Já com as nossas opostas, ocorre o contrário. Mas voltemos ao contexto do texto. Francineide - sempre a chamo pelo nome completo, sem abreviaturas - nem me olhou direito. Mas depois, num desses acasos desta vida, fomos nos reencontrar em uma festa de um amigo em comum. Na verdade não era bem isso, mas quase. Ela acabou ficando na mesma roda que eu estava e como eu já tinha tomado aquele gelo aquela noite, não tentei nada, mas só me mostrei o quão inteligente, legal, divertido, gente boa e modesto que sou nas conversas da mesa. Não namoramos, nem ficamos (isso só mais pra frente, e poucas vezes) mas ficamos muito p´roximos e, desta forma, amigos. MInha amiga Francineide, ainda sonho em lamber teus peitinhos (eheh, não fica brava não, hein?), e é impossível não te admirar, pela bela pessoa que você é (por dentro sem trocadilho e por fora). Qualquer dia você fala o quanto me odeia no teu fotolog. Mas como você mesma diz, "é melhor uma merda sincera que um ouro de tolo". Excrusive, você é minha citação preferida, deu pra perceber. Beijo de língua na tua orelha. 19.5.08
Questões internas Pode parecer piegas...mas não consigo me entender. Porque tantas e tantas vezes me digo pra esquecê-la e nada adianta. Um telefonema dela e me animo, fico ansioso, mesmo tendo quase certeza que não acontecerá nada, e quase como sempre ela marca e não vai aparecer. É a mais pura das idiotices. Começo a lembrar das tantas mancadas que ela já deu, muita, mas muita sacanagem, fica dando esperanças inúteis, e o tolo aqui só se fodendo. E acreditando. Porque acho que por mais incrédulo que eu seja, lá bem no fundo do escuro do mundo ainda acredito na bondade das pessoas - e esse é o problema. Importa os oito meses juntos? Foi legal? Foi, mas a patifaria também foi enorme. Em todo esse tempo nunca me apresentou os pais, e eu a levava na minha casa. Me criticava por coisinhas. E piorou depois que se mudou. Depois me dizia que queria continuar comigo quando viesse pra cá e no mesmo instante tirava fotos com o namorado de lá, e combinava de me encontrar numa festa aqui e quando chegava o horário eu, preocupado, ligava no celular dela e nada, no dia seguinte só me dizia que não tinha dado certo, e o trouxa aqui nem aproveitou a festa pensando que tinha acontecido alguma coisa. Depois mandei um email, e riu na minha cara. E fico aqui, ainda como um bobo. Sei lá, quando o cara tá na pior parece que fica idiota. Só com uma, mas fica. E isso é desprezível. Perder o controle da situação não é muito interessante. Hoje eu achava que tava nervoso por certos acontecimentos do trabalho, mas na verdade era tudo por causa dessa doida aí, que não larga do meu pé (de tempos em tempos me liga, não sei porque razões), mas não quer saber de mim. Só pra incomodar, pra dizer que tá aqui na área e não me esqueceu, mas nunca, realmente, se importou comigo. E me atazana a vida. Tenho que parar com isso. Vida nova, meu, já quase um ano e ainda nessa? Que merda de minhoca vc tem na cabeça? Esquece, passado, já era fí. Tanta gostosa por aqui e por lá, não tem razões pra ficar pensando nessa aí. Aquela estagiariazinha do escritório te dá moral...pega ela! "É gordinha, mas palatável", já diria Teobaldo. Dá pra perder um tempo alí. Quem sabe dar uma cantada na tia Bea talvez resolva? Um brinde à nova vida! 9.4.08
Tia Bea, o reencontro Semana passada reencontrei tia Bea. Fui para Curitiba para fazer um concurso e visitei-a uma tarde. Voltou com o meu tio Felipe há alguns meses. Passei a tarde na casa dela, onde pude rever meu primo e relembramos várias histórias. Logo que cheguei, meu primo ainda não estava em casa, e tio Felipe estava no trabalho. Fiquei conversando com tia Bea. Logo que me viu me elogiou, dizendo que eu havia emagrecido (quase lhe falei "são seus olhos", porque realmente estou longe de ter emagrecido. Mas me mantive quieto) meu primo, no entanto, estava mais gordo que um boi pronto pro abate, palavras da minha própria tia. Mostrei algumas fotos da minha câmera, do último encontro da família que ela e tio Felipe não puderam ir por estarem brigados, e me elogiou bastante: "tá bonitão nesta foto hein John?". Não sei se era por causa de minha atração por ela, mas às vezes eu percebia um olhar dela um pouco diferente. Mas isso em questão de segundos. Enquanto ela ia pra cozinha me oferecer algo pra comer, pude atentamente observar seu corpo, e continuava muito em forma. Nas minhas contas deve estar com 40 e poucos anos. Não tem barriga nenhuma e suas ancas são simétricas, fazendo um conjunto perfeito com as pernas e a cintura. Usava um jeans colado. Minha tia Bea, no quesito peitos, não pode ser chamada de uma mulher bem fornida. São discretos, nem muito pequenos, nem muito grandes. O quê, para alguém da idade dela, fica muito bem, devido à famigerada força gravitacional, que dispensa maiores explicações. Hoje sonhei com ela de novo. Eu a despia lentamente enquanto a beijava, em cada parte do corpo me detinha um tempo, sorvendo, lambendo, beijando, não sobrara um centímetro de tia Bea que não fora tocado por minha língua. Acordei suando, excitado e pensando se algum dia poderei fazer o que há alguns anos já faço com muita devoção e loucura em meus sonhos. 21.3.08
De alguns anos atrás Publico aqui este texto escrito há alguns anos em um caderno velho, que encontrei esses tempos: Acordei com uma leve lambida em meu ouvido e um sussuro. Eram 6h30 de uma quinta-feira incrivelmente fria para Londrina, mesmo em maio, feriado. Ela disse "bom dia" e foi se vestir. Eu voltei a dormir, tentando recuperar o sonho interrompido. Uma hora depois, enquanto a levava para o serviço (era veterinária e precisava tratar os bichinhos, fosse ou não feriado), surgiu de repente a lembrança de Débora. No auge dos meus dez anos, Débora estudava comigo, na mesma sala. Como éramos quase vizinhos (nossas casas distavam uma da outra mais ou menos duas quadras), todo dia eu voltava conversando com ela, e confesso que me sentia bem ao seu lado, caminhando e conversando nossas conversas de quinta série (que, apesar de eu não me lembrar muito bem, deviam ser muito interessantes, pois do colégio até onde morávamos era mais de 1km só no sapatinho). Não me lembro porque nunca mais falei com Débora. Já na sexta série, havia uma outra Débora, que foi minha colega até a sétima, mas que não era minha vizinha, nem conversava comigo. Mas era linda pra caralho, tinha olhos verdes, cabelos loiros, lisos e compridos até os meio das costa (como diria o capiau), o narizinho inconfundivelmente bonito e empinado o suficiente no ângulo correto em que se é possível perceber a medida certa do que pode-se chamar, sem exageros, de perfeição. A voz, ao menos em minhas lembranças, era de veludo. E sempre ia de perfume (aliás, um perfume que procuro até hoje descobrir qual é) à aula. E o bobão, de 11 anos, conheceu por fim o significado do termo "paixão platônica", muito embora há grandes chances de eu nunca ter ouvido falar nisso àquela época, nem ao menos em Platão (que, segundo o Cebolinha, é apenas mais um daqueles livros de culinária popular). Sonhei várias vezes com Débora - a não vizinha - e de alguns desses sonhos lembro-me bem até hoje. Foram dois anos estudando juntos, sem trocar muitas palavras, e hoje não me recordo mais seu sobrenome para procurá-la no orkut. Só sei que começava com W. Das minhas Déboras (já as tenho como propriedade), pensei um pouco na Andréa, tez muito alva e cabelo negro, sorriso muito bonito, que já começava a querer virar modelo, que também era linda, mas nem tanto quanto Débora. Era muito dada, já com aqueles 11 anos. A fama, em cidades pequenas, e para pré-adolescentes, corre rápido. Mas não comi ela, não. Àquela época eu diria infelizmente. Hoje também. Teve uma Raquel, que lembro que nossos pais se conheciam e estudávamos juntos. Teve a Karla, que dos meus platônicos, talvez tenha sido o "quase" que mais chegou perto de se efetivar - mas foi-se também. Esses dias reencontrei uma "quase" da oitava série. Mas o quase foi àquela época, as vidas tomaram rumos diferentes. Nesse entremear de idéias, quase bati o carro. Voltei pra casa. Sabe-se lá porque resolvi hoje escrever sobre esses casos, que foram um quase. Na verdade, longe de casos. Circunstâncias? Enfim, quases. Ainda mais hoje, que se ela (a veterinária) não fosse embora daqui alguns meses, certamente seríamos namorados. Mas que Débora - a não vizinha - era bonita, era. 24.2.08
Prazer, pseudônimo Provavelmente ninguém sabe, mas sou um pseudônimo. Não existo realmente. Fui criado para objetivos escusos de meu criador. Não posso indicá-lo, nomeá-lo: seria meu fim. Não posso tomar as rédeas de minha vida, não posso nada, a não ser representar o verdadeiro eu de meu criador, que obviamente não seria aceito pela sociedade, sob a alcunha que todos conhecem. Imaginem vocês descobrirem que o seu vizinho tem uma tara pela própria tia? Que aquele rapaz educado, arrumado, nerd é, na verdade um bêbado obcecado por sexo, que imagina toda a mulher que vê na rua nua em sua cama? Impraticável. Graças a isto, fui criado. Graças às compulsões dele, nasci, para suprir sua necessidade de comunicação, nem que fosse ao vazio da internet, nem tão vazia. Escrevo essas palavras enquanto meu criador dorme. Amanhã obviamente terei retaliações de sua parte quando ele descobrir que eu anunciei a verdade, muito embora sua identidade permaneça preservada. Esfriou hoje. Meu criador brigou com uma de suas amantes. Ela queria coisas sérias, mas ele negou-se a aceitar imposições. Ele tentou escrever algo aqui sob minha alcunha. Acabou por dormir. Escrevo em seu sono instável. Dias atrás ele apagou um número de telefone precipitadamente, como faz costumeiramente. Atitudes equivocadas de meu criador. Erros são inatos aos humanos, nunca posso esquecer-me disso. Aos pseudônimos cabe a perfeição. Inclusive aquela criada para ser perfeitamente imperfeita. Aos pseudônimos cabe o sucesso temporário, até que seu criador reivindique sua criação para si, quando esta começa a fazer sucesso. A nós nos cabe a assunção de defeitos alheios não-publicáveis ou virtudes não passíveis de compreensão pela sociedade. Tudo o que a hipocrisia abomina, por nós é representada. A vergonha, o opróbrio e muitas vezes apenas alguma pitada de curiosidade, esses são os elementos de nosso big bang. Graças à hipocrisia humana, eu existo. Muito prazer. 20.1.08
O fetiche-obrigado Trabalho cercado de mulheres. Suas idades variam dos 16 anos aos 50 e tantos, talvez 60. Muitas são comestíveis, mesmo já avançadas, como aquela de 40 e poucos que comentei alguns posts aí embaixo. E ontem estava eu, sem a menor intenção (sei que é difícil até pra eu mesmo acreditar, mas é verdade), olhei ao lado para atender o chamado de meu nome e uma dessas colegas já avançadas de idade estava inclinada e pude ver quase que inteiramente seus seios. E diga-se de passagem, belos seios. As coroas de hoje em dia estão se cuidando muito bem. Mas esse foi o tipo de cena em que a gente vê, e dá vontade de colocar a mão, acariciar. Como quando vejo uma moça muito bonita na rua e dá vontade de beijá-la. Não estuprá-la no meio da rua, apenas beijá-la, um selinho. E ir embora. Dessa mesma forma surgiu-me a vontade de acariciar, dar uma apertadinha em seus seios e pronto. Nada mais e somente naquele instante. São vontades passageiras e súbitas. Logo depois disso ela me pediu ajuda em alguma coisa no computador que ela não conseguia resolver, e lá fui. Resolvi em pouquíssimo tempo e ela me agradeceu "obrigada", e lá fui eu pensar "obrigada nada, deixa-me apertar levemente teus seios". Daí veio-me à cabeça (a de cima, sejamos claros) uma idéia que tornaria o mundo muito mais feliz e dizimaria o estresse dos escritórios e sua associação ao trabalho em geral. Ainda não tenho um nome próprio para o acontecimento, mas o provisório seria o "fetiche-obrigado" que consiste em, a cada favor que você faça a alguém, essa pessoa lhe permite alguma carícia como essas as quais relatei. Primeiro, o mundo inteiro seria muito mais solícito, pois qualquer um que fizesse um favor poderia ganhar uma bitoquinha ou um cafuné na cabeça. Segundo, acabaria a hipocrisia de fazer tudo às escondidas. Tudo seria às claras. O mundo mais feliz. As pessoas contentes e dispostas a ajudar os outros. Tudo lindo. Até eu que ganho pouco ficaria feliz. Confesso que no momento quase comecei a discorrer sobre o assunto no escritório, com dedo em riste, em pé em cima da mesa, convocando a todos e proclamando que a partir de hoje, esta data seria a do fetiche-obrigado! E no final do meu discurso, obviamente, daria aquela pegadinha nos seios dela. Lindos. 2.1.08
Um mau começo Ela tinha um sorriso. Bonito sorriso. Eu tinha tudo na minha mão, fiz tudo certo, até o ultimo momento, até o último maldito momento. Let her alone. Não poderia ter feito isso. No way. Se fosse há uns 5 anos atrás, tudo bem, mas hj! Sr. Bullinger, você me decepciona. Cara, é incrível. Incrível, inacreditável, imperdoável, imaturo, idiota, e quantos mais adjetivos de repulsa que existirem! Bob Dylan já dizia: if you ain't got nothing, you've got nothing to lose. Mas não o ouvi. Agora faço como Paul: I long for yesterday. Era a oportunidade de uma vida. Era A oportunidade. Uma moça inteligente, bonita, divertida. Era uma vez...foi-se. Fui-me! Pulei as sete ondas e fui embora. O pior é voltar a trabalhar na segunda-feira. O pior será quando eu tiver que revê-la. 16.12.07
Desrazões sinceras Fernanda veio e se foi, como um lampejo de lembrança que surge inesperadamente e some sem ao menos dar-nos tempo de aproveitar. Grande é a virtude da espera. * * * Preciso de um desabafo. Mas os meus desabafos não podem ser para pessoas, porque pessoas não entendem a simplicidade do pensamento. Não pode ser a amigos, porque amigos, por mais que confiemos, possuem amigos. "E os amigos de teus amigos possuem amigos também", já disse algo parecido o saudoso Quintana. Não posso falar a parentes, a colegas de trabalho. Meu desabafo é ao vazio, porque talvez ao ouvir o eco do desabafo eu o compreenda melhor, com se ouvisse o desabafo de outrem, e dessa forma eu, quem sabe, possa começar a me compreender. Pois a vida que vivo é nada mais que o desejo da preguiça. O ócio. Trabalho pouco, porque quero trabalhar pouco. Porque não suporto ficar 12 horas num escritório resolvendo problemas dos outros, mesmo ganhando muitíssimo bem. Se eu quisesse e me interessasse, eu ganharia mais de cinco mil por mês, mas não quero. Se eu quisesse seria chefe de muitos desses idiotas que me chefiam, mas não quero. Se eu quisesse, seria um colunável bem-sucedido, ou aquilo a que chamam bem sucedido: rico, estressado, com uma mulher interesseira em meu pescoço carregando algum sobrenome importante da cidade. Gostosa, bonita, mas lhe interessaria mais o limite do meu cartão que as palavras que escrevo. Não quero mulheres que não lêem. Se eu quisesse, podia tudo isso e muito mais, mas não quero. Porque o verbo trabalhar não entra na minha cabeça. Não consigo entender porque se é preciso trabalhar para viver. Talvez tenhamos cometido o erro de nascer, e pagamos por isso durante a vida. Subjugar o próximo com o objetivo do lucro. Trabalho por necessidade, porque se convencionou que para vivermos temos que comprar a vida. Compramos nossa vida diariamente. Se eu conseguisse me alimentar sem trabalhar, quem sabe não seria meu destino mais próximo? Mas ainda assim, por mais acomodado que eu seja, por menor o esforço que eu (não) faça, surgem pessoas que acham que estão me ajudando. Já recusei duas promoções no meu setor na fábrica, porque não quero trabalhar mais. E eu não faço nada de extraordinário, mas me indicaram. Se tivesse aceitado, meu salário seria talvez um terço maior, mas trabalharia muito mais, com muito mais responsabilidade nas costas, muito menos cabelos na cabeça e sono mais intranqüilo, certamente. Não quero isso pra mim. E hoje surgiu outro convite. Na minha área de formação, que aliás, nunca exerci. Pra morar na capital, pra ganhar mais e, obviamente, trabalhar mais. Não quero. Não recusei, mas não quero. Tenho outras coisas em mente. Tenho planos pra 2008 bem delineados. Milhões de dúvidas, mas quem não as tem? É preciso foco. O caminho é longo, árduo, mas necessário. A libertação virá. Não me entendam mal, meus amigos fantasmas. Não façam esses esgares de indignação. Tentem me compreender. Preciso de compreensão de alguma forma. Preciso de apoio. Não me abandonem. Mr. Bull 17.11.07
Fernanda Fernanda é o nome dela. Engraçado que a conheço há muito tempo, e nunca a tinha visto sorrir tanto. Um motivo razoável para que isso tenha acontecido é que sempre moramos muito longe, e quase sempre que a vi, estava namorando. Sempre achei-a bonita, desde seus 15 anos, quando então estava eu nos meus já longínquos 17 (quase uma década atrás, meu deus!), e todas as subseqüentes vezes. Fernanda, rima com Amanda. Mas não quero falar hoje de Amanda. Hoje quero a Fer. Um belo sorriso, resplandecente, a pele alva e os cabelos negros. Bem-humorada, apesar das vicissitudes por que passou, desde criança. Namorados canalhas, morte de parentes e amigos próximos. De alguma forma tirava forças para sorrir, e sorria, e não economizava nos sorrisos. Um exemplo de pessoa. Formou-se em direito mas decepcionou-se com ele. Como acontece a tantas pessoas, e não somente com direito. Começou outra faculdade, que não me lebro agora pois estava realmente embriagado ouvindo-a contar suas histórias, e devo ter parecido um belo dum bobo em sua frente; e não era apenas o álcool que me deixava ébrio, mas a presença dela. Acredita nas pessoas, possui um caráter incomum. E agora, cá estou eu sentado em frente a esse desmemoriado computador, pensando em Fernanda. Vejo as poucas fotos que tenho com ela, bebo meu gole de whisky e escrevo. Hoje à noite vamos sair juntos. Desejem-me sorte vocês, fantasmas, que me lêem. "Não há acaso nessa vida. Nem ao menos em nosso ocaso", já diria Francinete. Salut! 21.10.07
Vadia Era o que eu imaginava. Fingia que ligava, por dó, compaixão ou outra coisa. E me prometia que nos veríamos, a vagabunda. E quando a data combinada se aproximava, sumia a cretina. Por educação me dava esperanças. Até que me enchi e falei que não precisava da compaixão, e sim da sinceridade. Ela riu na minha cara. E não foi sincera. Não teve coragem. Covarde. Mas teve que engolir, e ainda terá. O desprezo se apodera de mim. Nojo até. Asco. Ojeriza. A vejo lá embaixo, longe de minha visão, rastejando na lama, com sua podridão emanando de sua boca, a insinceridade ecoando lá nas profundezas do vale dos danados. Aqui em cima não ouço nada. O lado bom no caso é que vou me poupar de ouvir idiotices falsas. Deixo esse árduo trabalho pro trouxa que ela está conseguindo enganar agora. Puta.
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